E NA BANDEIRA DESFRALDADA DE ISMAEL...DEUS, CRISTO E CARIDADE
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
Mãos?!? Quais são as suas?!?
Há mãos que sustentam e mãos que abalam.
Mãos que limitam e mãos que ampliam.
Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados.
Mãos que se abrem e mãos que se fecham.
Há mãos que afagam e mãos que agridem.
Mãos que ferem e mãos que cuidam das feridas.
Mãos que destroem e mãos que edificam.
Mãos que batem e mãos que recebem as pancadas por outros.
Há mãos que apontam e guiam.
Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas.
Mãos que dão com arrogância e mãos que se escondem ao dar.
Mãos que escandalizam e mãos que apagam os escândalos.
Mãos puras e mãos que carregam censuras.
Há mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir.
Mãos que pesam e mãos que aliviam.
Mãos que operam e que curam e mãos que "amarguram".
Há mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio.
Mãos furtivas que traficam destruição e mãos amigas que desviam da ruína.
Mãos finas que provam dor e mãos rudes que espalham amor.
Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade.
Mãos que oram e imploram e mãos que "devoram".
Mãos de CAIM que matam.
Mãos de JACÓ que enganam.
Mãos de JUDAS que entregam.
Mas há também as mãos de Simão, que carregam a cruz, e as mãos de Verônica, que enxugam o rosto de JESUS.
Onde está a diferença???
Não está nas mãos, mas no coração!!! É na mente transformada que dirige a mão santificada, delicada. É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos de graça. Mãos que se levantam para abençoar, mãos que baixam para levantar o caído, mãos que se estendem para amparar o cansado. São como as mãos de Deus que criam, que guiam, que salvam; que nunca faltam. Existem mãos... e mãos... As tuas, quais são? De quem são? Para que são?
Mãos que limitam e mãos que ampliam.
Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados.
Mãos que se abrem e mãos que se fecham.
Há mãos que afagam e mãos que agridem.
Mãos que ferem e mãos que cuidam das feridas.
Mãos que destroem e mãos que edificam.
Mãos que batem e mãos que recebem as pancadas por outros.
Há mãos que apontam e guiam.
Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas.
Mãos que dão com arrogância e mãos que se escondem ao dar.
Mãos que escandalizam e mãos que apagam os escândalos.
Mãos puras e mãos que carregam censuras.
Há mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir.
Mãos que pesam e mãos que aliviam.
Mãos que operam e que curam e mãos que "amarguram".
Há mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio.
Mãos furtivas que traficam destruição e mãos amigas que desviam da ruína.
Mãos finas que provam dor e mãos rudes que espalham amor.
Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade.
Mãos que oram e imploram e mãos que "devoram".
Mãos de CAIM que matam.
Mãos de JACÓ que enganam.
Mãos de JUDAS que entregam.
Mas há também as mãos de Simão, que carregam a cruz, e as mãos de Verônica, que enxugam o rosto de JESUS.
Onde está a diferença???
Não está nas mãos, mas no coração!!! É na mente transformada que dirige a mão santificada, delicada. É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos de graça. Mãos que se levantam para abençoar, mãos que baixam para levantar o caído, mãos que se estendem para amparar o cansado. São como as mãos de Deus que criam, que guiam, que salvam; que nunca faltam. Existem mãos... e mãos... As tuas, quais são? De quem são? Para que são?
Superdotado
A Teoria das Múltiplas Inteligências, de Howard Gardner, propõe que a mente humana é multifacetada, existindo várias capacidades distintas que podem receber a denominação de "inteligência". O superdotado consegue perceber mais do meio-ambiente do que a maioria das pessoas. Assim sendo, esse tipo de pessoa tende a ser visto como exagerado ou, excessivamente, sensível.
Mas, quem é o superdotado? O que faz na Terra? Qual é o seu porvir? Perguntas, essas, que somente podem ser respondidas, tendo a pluralidade das existências como verdade absoluta e mecanismo natural de evolução do Espírito. Sem a palingenesia não há como se conceber o progresso humano, senão, vejamos: “O jovem Maiko Silva Pinheiro lia, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; aprendeu a fazer contas, aos 5 e, aos 9, era repreendido pela professora, porque fazia as divisões, usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. Hoje, estuda economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Aos 17 anos, os diretores do Banco Brascan dizem ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática". (1)
O mexicano Maximiliano Arellano começou a desenvolver a extraordinária memória, aos 2 anos de idade; aos 6 anos, Maximiliano diz querer ser médico. “Maximiliano deu uma aula de fisiopatologia e osteoporose com linguajar de um residente, segundo afirmativa do Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma do Estado do México, Roberto Camacho”. (2) Segundo a Revista Veja, "Os sinais da inteligência, fora do comum, do jovem americano, Gregory Robert Smith, começaram muito cedo. Com 14 meses, resolvia problemas simples de matemática; com 1 ano e 2 meses, ele resolvia problemas de álgebra; aos 2 anos, lia, memorizava e recitava livros, além de corrigir os adultos que cometiam erros gramaticais; três anos depois, no jardim-de-infância, lia Júlio Verne e tentava ensinar os princípios da botânica aos coleguinhas; aos 10, ingressou na Faculdade de Matemática; aos 13, deve começar a pós-graduação", pois já terminou a faculdade”.(3) "Smith criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz." (4)
Casos de crianças precoces sempre despertam a atenção. A Academia de Ciência não possui uma explicação vigorosa sobre o tema; atribui a uma "miraculosa" predisposição biogenética (!?...), potencializada por estímulos de ordem externa. Outra enorme dificuldade, encontrada pelos doutos da Academia, é a não concordância na definição do termo "superdotação". “Alguns pesquisadores distinguem superdotado, de talentoso, sendo o primeiro, considerado como aquele indivíduo de alta capacidade intelectual, ou acadêmica, e o segundo, como possuindo habilidades superiores nas áreas das artes, música, teatro”. (5)
O célebre matemático francês, Henri a Poicaré, que desencarnou em 1912, acreditava que osgênios matemáticos trazem um talento congênito, ou seja: "já vêm feitos", o que, de maneira sutil,consagra a multiplicidade das vidas. O jovem sergipano, Carlos Mattheus, de apenas 19 anos, pobreestudante da escola pública, que conseguiu um fato inédito em um dos melhores centros deformação da América Latina, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, onde obteve ostítulos de mestre e doutor em matemática, já planeja ir a Paris, através de bolsa de estudo, para umefeito, ainda mais expressivo, ou seja: realizar cursos de pós doutorado.
Gabriel Dellane, em seu livro "Reencarnação", no Capítulo VII, trata das "experiências derenovação da memória", citando Allan Kardec; fala do perispírito que "sobrevive à morte” earquiva todas as experiências vividas em outras existências. (6) Um espírito que se dedicou,particularmente, por séculos, ao estudo da matemática, traz, como frisou Poincaré, esse “talentocongênito”, o impulso natural para a prática de atividades que mais gosta.
Encontramos essas mesmas tendências excepcionais em músicos, como Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez, e já compunha minuetos, aos 5 anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos 12 anos. Paganini dava concertos, aos 9 anos,em Gênova, Itália. Na literatura universal, é ímpar o fenômeno Victor Hugo que, precocemente,aos 13 anos, arrebatou cobiçado prêmio da cidade de Tolosa. Goethe sabia escrever em diversas línguas, antes da idade de 10 anos. Victor Hugo, o gênio maior da França, escreveu seu primeiro livro, com 15 anos de idade. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de 8 anos, foi dispensado das aulas de escultura pelo seu professor, que nada mais havia a lhe ensinar. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma (...)”. (7)
Como temos observado, a imprensa tem noticiado fatos dessa natureza com uma constânciaimpressionante; fatos, esses, que desafiam a Ciência, por não encontrar uma explicação consistente sobre o tema. Nenhuma teoria humana foi capaz de, até hoje, esclarecer tais fatos. Casos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos cientistas, que atribuem esse fenômeno natural a “milagres biogenétios” (pasmem!).
O debate sobre o que é, realmente, a inteligência, nunca foi tão promissor, como atualmente. Muitas teorias têm ampliado o conceito de inteligência, fugindo à técnica ultrapassada de medição pelo "quociente de inteligência" (Q.I.), mediante aplicação do teste de Binet. O grande embaraço dos materialistas é desconsiderar o fato de a inteligência ser um atributo do Espírito, isto é, resultante da soma de conhecimentos e vivências de existências anteriores de cada indivíduo. Nesse sentido, admitindo-se a reencarnação, as idéias inatas são, apenas, lembranças espontâneas do patrimônio cultural do ser, em diferentes esferas de expressão; algumas em estado mais latente, em determinadas crianças-prodígio.. Desse modo, ficaria bem mais fácil compreender toda essa complexidade da mente humana.
Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das aptidões, a desproporção das qualidades morais, enfim, todas as desigualdades que a nossa vista alcança. Fora dessa lei, indagar-se-ia, inutilmente, por que certos homens possuem talento, sentimentos nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só manifestam paixões e instintos grosseiros. A influência do meio, a hereditariedade e as diferenças de educação não são suficientes, obviamente, para explicar esses fenômenos. Vemos membros da mesma família, semelhantes pelo sangue, pelo histórico genético, educados nos mesmos princípios morais, diferençarem-se, profundamente, como pessoas.
O Doutor Richard Wolman, de Harvard, incorporou o conceito de Inteligência Espiritual às demais teorias em voga. Esse conceito seria a capacidade humana de fazer perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar, simultaneamente, a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo.
Pesquisadores, como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldsson, Hellen Wanbach, Edite Fiore, e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista.
Pesquisadores, como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldsson, Hellen Wanbach, Edite Fiore, e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista.
As pesquisas sobre a Reencarnação não cessam nas teses dessas personalidades apontadas. Estudos sobre esse tema crescem, constantemente. A Física, a Genética, a Medicina, e várias escolas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas pesquisas. Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência, declarando esta importante constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. E Allan Kardec a confirmou em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos, melhor, a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade.
Jorge Hessen
FONTES:
(1) Publicada na Revista Época, edição de 15 de maio, 2006
(2) Publicado no Jornal Correio Braziliense de 12 de maio, 2006
(3) Revista Veja, edição 1800, de 30 de abril de 2003, página 63 e edição de 28 de abril de 2004
(4) Publicado na Revista Veja, edição de 28 de abril de 2004
(5) Hessen, Jorge. Tese Reencarnacionista, artigo publicado em Reformador /FEB / janeiro 2005
(6) Dellane, Gabriel. Reencarnação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1987, cap. VII
(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 219
(1) Publicada na Revista Época, edição de 15 de maio, 2006
(2) Publicado no Jornal Correio Braziliense de 12 de maio, 2006
(3) Revista Veja, edição 1800, de 30 de abril de 2003, página 63 e edição de 28 de abril de 2004
(4) Publicado na Revista Veja, edição de 28 de abril de 2004
(5) Hessen, Jorge. Tese Reencarnacionista, artigo publicado em Reformador /FEB / janeiro 2005
(6) Dellane, Gabriel. Reencarnação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1987, cap. VII
(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 219
DEUS
A nossa compreensão de Deus muda na mesma proporção em que a nossa percepção sobre a vida se amplia. É uma tarefa espinhosa, quando o limitado intenta alcançar o Ilimitado, ou o finito entender o Infinito. Da megaestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente do Criador da vida. O físico americano Paul Davies no seu livro intitulado Deus e a Nova Física afirma categoricamente que “o universo foi desenhado por uma consciência cósmica.”(1)
O cientista brasileiro Marcos N. Eberlin, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas, membro da Academia Brasileira de Ciências e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, ressalta que, na condição de químico, estuda a arquitetura da matéria, como foram formados os átomos, as moléculas, quais são as leis que regem o mundo atômico e molecular e suas transformações. Quando essa arquitetura é observada “mais de longe”, superficialmente, já se mostra extremamente bela, complexa, simétrica, sincronizada, uma obra de arte, um esplendor absoluto. Percebe-se uma riqueza extraordinária de detalhes, uma arquitetura constituída das mais diferentes formas geométricas, lindas, harmônicas, periódicas, perfeitas. “Como a água, com sua estrutura angular simples, mas única, que rege suas propriedades também únicas, impressionantes, e que forma lindos cristais de gelo, de um design sem igual; os átomos e o balé sincronizado de seus elétrons em orbitais; as proteínas, outro espetáculo, uma arquitetura química tridimensional e com pontos de encaixe engenhosamente posicionados que confere a essas moléculas propriedades diversas, uma eficiência extraordinária como aceleradores de reações jamais igualada por qualquer outra espécie química, explica Eberlin”(2)
Do micro para o macrocosmo, sabe-se que as últimas descobertas da cosmologia moderna mostram que o Universo tem lançado enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, desconsertando a lógica da inteligência humana. Na obra “A Partícula de Deus”, o físico Leon Lederman, ganhador do Prêmio Nobel, em 1988, defende a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O comportamento de pesquisa do físico holandês, Willem B. Drees, autor do livro “Além do Big Bang - Cosmologia Quântica e Deus”, demonstra claramente que há um interesse crescente pela investigação científica, baseado na certeza da existência de Deus.
O Espírito Emmanuel narra que “ante a estupenda obra do Criador o homem observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico [Terra] em que se desenvolve. Descobre que o Sol tem um volume de 1.300.000 vezes maior; a Lua dista mais de 380.000 quilômetros; Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação, Capela é 5.800 vezes maior, Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol".(3)
O Sistema Solar possui apenas 9 planetas, com 57 satélites, no total de 68 corpos celestes. E para que tenhamos noção de sua insignificância diante do restante do Universo, nosso Sistema Solar compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea"(4), ou seja, um aglomerado de cerca de 100 bilhões de estrelas, com pelo menos cem milhões de planetas e, segundo Carl Seagan, no mínimo cem mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa.(5)
Pesquisadores que se prenderam ao materialismo, herdeiros diretos do atomismo materialista de Demócrito, Leucipo e Lucrécio, têm zombado da fé ingênua e primitiva, escravizadas aos prosélitos dos religiosos, destarte, esforçam-se para aniquilar histórica e emocionalmente a entronização contumaz desse Deus criado pela teologia humana, por ser incompatível com a racionalidade acadêmica.
Voltaire, em êxtase, afirmou que não acreditava nos deuses criados pelos homens, mas sim no Deus criador do homem. Sócrates nomeava Deus como "A razão perfeita"; o seu discípulo, Platão, O designava por "Idéia do bem"."A dedução que se pode tirar da certeza inata que todos os homens trazem em si, da existência de Deus, é a de que Ele existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base?"(6) E podemos encontrar a prova da existência de Deus no axioma que aplicamos às nossas ciências terrenas, de que não há efeito sem causa, logo, “procuremos a causa de tudo o que não é obra do homem e a nossa razão nos responderá".(7)
O cientista brasileiro Marcos N. Eberlin, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas, membro da Academia Brasileira de Ciências e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, ressalta que, na condição de químico, estuda a arquitetura da matéria, como foram formados os átomos, as moléculas, quais são as leis que regem o mundo atômico e molecular e suas transformações. Quando essa arquitetura é observada “mais de longe”, superficialmente, já se mostra extremamente bela, complexa, simétrica, sincronizada, uma obra de arte, um esplendor absoluto. Percebe-se uma riqueza extraordinária de detalhes, uma arquitetura constituída das mais diferentes formas geométricas, lindas, harmônicas, periódicas, perfeitas. “Como a água, com sua estrutura angular simples, mas única, que rege suas propriedades também únicas, impressionantes, e que forma lindos cristais de gelo, de um design sem igual; os átomos e o balé sincronizado de seus elétrons em orbitais; as proteínas, outro espetáculo, uma arquitetura química tridimensional e com pontos de encaixe engenhosamente posicionados que confere a essas moléculas propriedades diversas, uma eficiência extraordinária como aceleradores de reações jamais igualada por qualquer outra espécie química, explica Eberlin”(2)
Do micro para o macrocosmo, sabe-se que as últimas descobertas da cosmologia moderna mostram que o Universo tem lançado enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, desconsertando a lógica da inteligência humana. Na obra “A Partícula de Deus”, o físico Leon Lederman, ganhador do Prêmio Nobel, em 1988, defende a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O comportamento de pesquisa do físico holandês, Willem B. Drees, autor do livro “Além do Big Bang - Cosmologia Quântica e Deus”, demonstra claramente que há um interesse crescente pela investigação científica, baseado na certeza da existência de Deus.
O Espírito Emmanuel narra que “ante a estupenda obra do Criador o homem observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico [Terra] em que se desenvolve. Descobre que o Sol tem um volume de 1.300.000 vezes maior; a Lua dista mais de 380.000 quilômetros; Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação, Capela é 5.800 vezes maior, Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol".(3)
O Sistema Solar possui apenas 9 planetas, com 57 satélites, no total de 68 corpos celestes. E para que tenhamos noção de sua insignificância diante do restante do Universo, nosso Sistema Solar compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea"(4), ou seja, um aglomerado de cerca de 100 bilhões de estrelas, com pelo menos cem milhões de planetas e, segundo Carl Seagan, no mínimo cem mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa.(5)
Pesquisadores que se prenderam ao materialismo, herdeiros diretos do atomismo materialista de Demócrito, Leucipo e Lucrécio, têm zombado da fé ingênua e primitiva, escravizadas aos prosélitos dos religiosos, destarte, esforçam-se para aniquilar histórica e emocionalmente a entronização contumaz desse Deus criado pela teologia humana, por ser incompatível com a racionalidade acadêmica.
Voltaire, em êxtase, afirmou que não acreditava nos deuses criados pelos homens, mas sim no Deus criador do homem. Sócrates nomeava Deus como "A razão perfeita"; o seu discípulo, Platão, O designava por "Idéia do bem"."A dedução que se pode tirar da certeza inata que todos os homens trazem em si, da existência de Deus, é a de que Ele existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base?"(6) E podemos encontrar a prova da existência de Deus no axioma que aplicamos às nossas ciências terrenas, de que não há efeito sem causa, logo, “procuremos a causa de tudo o que não é obra do homem e a nossa razão nos responderá".(7)
Jorge Hessen
Referências bibliográficas:
(1) Davies, Paul. Deus e a Nova Física, Lisboa: Edições 70, 1986, p. 157.
(2) Marcos N. Eberlin, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas, membro da Academia Brasileira de Ciências, comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Entre as pesquisas realizadas, destacam-se os estudos de reatividade de íons na fase gasosa, que levaram à descoberta de vários novos íons e novas reações com diferentes aplicações analíticas e sintéticas. Uma dessas reações hoje leva seu nome: Reação de Eberlin.
(3) XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Ditada pelo Espírito Emmanuel. Rio [de Janeiro]: FEB, 1994, Cap. 1.
(4) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões.
(5) Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis
(6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. Feb, 2004, item 58
(7) idem, Questão 42
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Nós Amamos a Deus?!?
Se alguém diz que ama a Deus, mas não ama o seu semelhante, é mentiroso. Isso foi escrito pelo Apóstolo João e nos convida a uma profunda reflexão.
Por que o amor a Deus passa inevitavelmente pelo amor ao próximo?
Por que não basta amar a Deus no isolamento das criaturas, ou na indiferença ao semelhante?
Deus, ao nos criar, não nos cria perfeitos, mas oferece as oportunidades e possibilidades de se chegar à perfeição.
E, por grandiosidade de Sua justiça, essa perfeição se alcança por esforço próprio, por dedicação, e jamais por gratuidade ou dom divino, a escolher uns ou outros como mais ou menos amados por Ele e, consequentemente, com mais ou menos virtudes e dons.
Quando lemos a biografia de grandes vultos do amor ao próximo, como Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier ou Irmã Dulce, vemos a exemplificação do exercício no amor ao próximo.
E é natural que questionemos de onde eles retiraram forças para amar incondicional e intensamente, ao longo de toda uma vida?
Aprenderam a amar ao próximo no exercício do amor a que se propuseram, saindo de si mesmos, indo em direção ao outro, encontrando Deus.
O amor a Deus não se constrói de forma mística, transcendental ou isoladamente.
Entendendo isso, Jesus, personificação maior do amor a Deus, nos ensina que toda vez que auxiliarmos, que dermos de comer, que matarmos a sede de nosso irmão, é a Ele mesmo que estaremos fazendo isso.
Convida-nos Jesus a experimentar o exercício do amor a Deus aprendendo a amar ao próximo.
Afirma mesmo o Mestre Galileu que o maior mandamento da Lei de Deus é amar ao Pai, seguido do exercício de amar-se para amar ao próximo.
Se você busca o entendimento das Leis de Deus, de instaurá-Lo na sua intimidade, um bom início será o de olhar para o próximo, no exercício do amor.
Sempre temos recursos e meios de auxiliar, de demonstrar o amor na forma do desvelo, do carinho, da solidariedade ou da compaixão.
Ofereçamos a palavra edificante para incentivar os desvalidos, a presença fraterna para aqueles abandonados na solidão, ouvidos pacientes para um coração aflito com necessidade de desabafar.
Somos convidados ao exercício do amor ao próximo construído na compreensão frente àquele em desatino, em benevolência para o irmão em desequilíbrio ou indulgência na ação precipitada.
São pequenos gestos que se fazem exercícios de amor ao próximo, no objetivo de amar a Deus. Afinal, como nos alerta o Apóstolo João, se não conseguimos compreender nosso irmão, jamais teremos condições de amar e compreender a Deus
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O Conhecimento do Futuro?!?
1. — Como é possível o conhecimento do futuro?
Compreende-se a possibilidade da previsão dos acontecimentos que devam resultar do estado presente; porém, não a dos que nenhuma relação guardem com esse estado, nem, ainda menos, a dos que são comumente atribuídos ao acaso. Não existem as coisas futuras, dizem; elas ainda se encontram no nada; como, pois, se há de saber que se darão?São, no entanto, em grande número os casos de predições realizadas, donde forçosa se torna a conclusão de que ocorre aí um fenômeno para cuja explicação falta a chave, porquanto não há efeito sem causa. É essa causa que vamos tentar descobrir e é ainda o Espiritismo, já de si mesmo chave de tantos mistérios, que no-la fornecerá, mostrando-nos, ao demais, que o próprio fato das predições não se produz com exclusão das leis naturais.Tomemos, para comparação, um exemplo nas coisas usuais. Ele nos ajudará a compreender o princípio que teremos de desenvolver.2. — Suponhamos um homem colocado no cume de uma alta montanha, a observar a vasta extensão da planície em derredor. Nessa situação, o espaço de uma légua pouca coisa será para ele, que poderá facilmente apanhar, de um golpe de vista, todos os acidentes do terreno, de um extremo a outro da estrada que lhe esteja diante dos olhos. O viajor, que pela primeira vez percorra essa estrada, sabe que, caminhando, chegará ao fim dela. Constitui isso uma simples previsão da conseqüência que terá a sua marcha. Entretanto, os acidentes do terreno, as subidas e descidas, os cursos d'água que terá de transpor, os bosques que haja de atravessar, os precipícios em que poderá cair, as casas hospitaleiras onde lhe será possível repousar, os ladrões que o espreitem para roubá-lo, tudo isso independe da sua pessoa; é para ele o desconhecido, o futuro, porque a sua vista não vai além da pequena área que o cerca.Quanto à duração, mede-a pelo tempo que gasta em perlustrar o caminho. Tirai-lhe os pontos de referência e a duração desaparecerá. Para o homem que está em cima da montanha e que o acompanha com o olhar, tudo aquilo está presente.Suponhamos que esse homem desce do seu ponto de observação e, indo ao encontro do viajante, lhe diz: «Em tal momento, encontrarás tal coisa, serás atacado e socorrido.»Estará predizendo o futuro, mas, futuro para o viajante, não para ele, autor da previsão, pois que, para ele, esse futuro é presente.3. — Se, agora, sairmos do âmbito das coisas puramente materiais e entrarmos, pelo pensamento, no domínio da vida espiritual, veremos o mesmo fenômeno produzir-se em maior escala. Os Espíritos desmaterializados são como o homem da montanha; o espaço e a duração não existem para eles. Mas, a extensão e a penetração da vista são proporcionadas à depuração deles e à elevação que alcançaram na hierarquia espiritual. Com relação aos Espíritos inferiores, aqueles são quais homens munidos de possantes telescópios, ao lado de outros que apenas dispõem dos olhos. Nos Espíritos inferiores, a visão é circunscrita, não só porque eles dificilmente podem afastar-se do globo a que se acham presos, como também porque a grosseria de seus perispíritos lhes vela as coisas distantes, do mesmo modo que um nevoeiro as oculta aos olhos do corpo.Bem se compreende, pois, que, de conformidade com o grau de sua perfeição, possa um Espírito abarcar um período de alguns anos, de alguns séculos, mesmo de muitos milhares de anos, porquanto, que é um século em face do infinito?Diante dele, os acontecimentos não se desenrolam sucessivamente, como os incidentes da estrada diante do viajor: ele vê simultaneamente o começo e o fim do período; todos os eventos que, nesse período, constituem o futuro para o homem da Terra são o presente para ele, que poderia então vir dizer-nos com certeza: Tal coisa acontecerá em tal época, porque essa coisa ele a vê como o homem da montanha vê o que espera o viajante no curso da viagem. Se assim não procede, é porque poderia ser prejudicial ao homem o conhecimento do futuro, conhecimento que lhe pearia o livre arbítrio, paralisá-lo-ia no trabalho que lhe cumpre executar abem do seu progresso. O se lhe conservarem desconhecidos o bem e o mal com que topará constitui para o homem uma prova.Se tal faculdade, mesmo restrita, se pode contar entre os atributos da criatura, em que grau de potencialidade não existirá no Criador, que abrange o infinito? Para o Criador, o tempo não existe: o princípio e o fim dos mundos lhe são o presente. Dentro desse panorama imenso, que é a duração da vida de um homem, de uma geração, de um povo?4. — Entretanto, como o homem tem de concorrer para o progresso geral, como certos acontecimentos devem resultar da sua cooperação, pode convir que, em casos especiais, ele pressinta esses acontecimentos, a fim de lhes preparar o encaminhamento e de estar pronto a agir, em chegando a ocasião. Por isso é que Deus, às vezes, permite se levante uma ponta do véu; mas, sempre com fim útil, nunca para satisfação de vã curiosidade. Tal missão pode, pois, ser conferida, não a todos os Espíritos, porquanto muitos há que do futuro não conhecem mais do que os homens, porém a alguns Espíritos bastante adiantados para desempenhá-la. Ora, é de notar-se que as revelações dessa espécie são sempre feitas espontaneamente e jamais, ou, pelo menos, muito raramente, em resposta a uma pergunta direta.5. — Pode também semelhante missão ser confiada a certos homens, desta maneira:Aquele a quem é dado o encargo de revelar uma coisa oculta recebe, à sua revelia e por inspiração dos Espíritos que a conhecem, e revelação dela e a transmite maquinalmente, sem se aperceber do que faz. É sabido, ao demais, que, assim durante o sono, como em estado de vigília, nos êxtases da dupla vista, a alma se desprende e adquire, em grau mais ou menos alto, as faculdades do Espírito livre. Se for um Espírito adiantado, se, sobretudo, houver recebido, como os profetas, uma missão especial para esse efeito, gozará, nos momentos de emancipação da alma, da faculdade de abarcar, por si mesmo, um período mais ou menos extenso, e verá, como presente, os sucessos desse período. Pode então revelá-los no mesmo instante, ou conservar lembrança deles ao despertar. Se os sucessos hajam de permanecer secretos, ele os esquecerá, ou apenas guardará uma vaga intuição do que lhe foi revelado, bastante para o guiar instintivamente.6. — É assim que em certas ocasiões essa faculdade se desenvolve providencialmente, na iminência de perigos, nas grandes calamidades, nas revoluções, e é assim também que a maioria das seitas perseguidas adquire numerosos videntes. É ainda por isso que se vêem os grandes capitães avançar resolutamente contra o inimigo, certos da vitória; que homens de gênio, como, por exemplo, Cristóvão Colombo, caminham para uma meta, anunciando previamente, por assim dizer, o instante em que a alcançarão. É que eles viram, essa meta, que, para seus Espíritos, deixou de ser o desconhecido.Nada, pois, tem de sobrenatural o dom da predição, mais do que uma imensidade de outros fenômenos. Ele se funda nas propriedades da alma e na lei das relações do mundo visível com o mundo invisível, que o Espiritismo veio dar a conhecer.A teoria da presciência talvez não resolva de modo absoluto todos os casos que se possam apresentar de revelação do futuro, mas não se pode deixar de convir em que lhe estabelece o princípio fundamental.7. — Muitas vezes, as pessoas dotadas da faculdade de prever, seja no estado de êxtase, seja no de sonambulismo, vêem os acontecimentos como que desenhados num quadro, o que também se poderia explicar pela fotografia do pensamento. Atravessando o pensamento o espaço, como os sons atravessam o ar, um sucesso que esteja no dos Espíritos que trabalham para que ele se dê, ou no dos homens cujos atos devam provocá-lo, pode formar uma imagem para o vidente; mas, como a sua realização pode ser apressada ou retardada por um, concurso de circunstâncias, este último vê o fato, sem poder, todavia, determinar o momento em que se dará. Não raro acontece que aquele pensamento não passa de um projeto, de um desejo, que se não concretizem em realidade, donde os freqüentes erros de fato e de data nas previsões. (Cap. XlV, nos 13 e seguintes.)8. — Para compreendermos as coisas espirituais, isto é, para fazermos delas idéia tão clara como a que fazemos de uma paisagem que tenhamos ante os olhos, falta-nos em verdade um sentido, exatamente como ao cego de nascença falta um que lhe faculte compreender os efeitos da luz, das cores e da vista, sem o contacto. Daí se segue que somente por esforço da imaginação e por meio de comparações com coisas materiais que nos sejam familiares chegamos a consegui-lo.As coisas materiais, porém, não nos podem dar das coisas espirituais senão idéias muito imperfeitas, razão por que não se devem tomar ao pé da letra essas comparações e crer, por exemplo, que a extensão das faculdades perceptivas dos Espíritos depende da efetiva elevação deles, nem que eles precisem estar em cima de uma montanha ou acima das nuvens para abrangerem o tempo e o espaço.Tal faculdade lhes é inerente ao estado de espiritualização, ou, se o preferirem, de desmaterialização.Quer isto dizer que a espiritualização produz um efeito que se pode comparar, se bem muito imperfeitamente, ao da visão de conjunto que tem o homem colocado sobre a montanha. Esta comparação objetivava simplesmente mostrar que acontecimentos pertencentes ainda, para uns, ao futuro, estão, para outros, ao presente e podem assim ser preditos, o que não implica que o efeito se produza de igual maneira.Para, portanto, gozar dessa percepção, não precisa o Espírito transportar-se a um ponto qualquer do espaço. Pode possuí-la em toda a sua plenitude aquele que na Terra se acha ao nosso lado, tanto quanto se achasse a mil léguas de distância, ao passo que nós nada vemos além do nosso horizonte visual. Não se operando a visão, nos Espíritos, do mesmo modo, nem com os mesmos elementos que no homem, muito diverso é o horizonte visual dos primeiros. Ora, é precisamente esse o sentido que nos falece para o concebermos. O Espírito, ao lado do encarnado, é como o vidente ao lado do cego.9. — Devemos, além disso, ponderar que essa percepção não se limita ao que diz respeito à extensão; que ela abrange a penetração de todas as coisas. É, repetimos, uma faculdade inerente e proporcionada ao estado de desmaterialização. A encarnação amortece-a, sem, contudo, a anular completamente, porque a alma não fica encerrada no corpo como numa caixa. O encarnado a possui, embora sempre em grau menor do que quando se acha completamente desprendido; é o que confere a certos homens um poder de penetração que a outros falece inteiramente; maior agudeza de visão moral; compreensão mais fácil das coisas extra materiais. O Espírito encarnado não somente percebe, como também se lembra do que viu no estado de Espírito livre e essa lembrança é como um quadro que se lhe desenha na mente. Na encarnação, ele vê, mas vagamente, como através de um véu; no estado de liberdade, vê e concebe claramente. O princípio da visão não lhe é exterior, está nele; essa a razão por que não precisa da luz exterior. Por efeito do desenvolvimento moral, alarga-se o círculo das idéias e da concepção; por efeito da desmaterialização gradual do perispírito, este se purifica dos elementos grosseiros que lhe alteravam a delicadeza das percepções, o que torna fácil compreender-se que a ampliação de todas as faculdades acompanha o progresso do Espírito.10. — O grau da extensão das faculdades do Espírito é que, na encarnação, o torna mais ou menos apto a conceber as coisas espirituais. Essa aptidão, todavia, não é corolário forçoso do desenvolvimento da inteligência; a ciência vulgar não a dá, tanto assim que há homens de grande saber tão cegos para as coisas espirituais, quanto outros o são para as coisas materiais; são-lhes refratários, porque não as compreendem, o que significa que ainda não progrediram em tal sentido, ao passo que outros, de instrução e inteligência vulgares, as aprendem com a maior facilidade, o que prova que já tinham de tais coisas uma intuição prévia. É, para estes, uma lembrança retrospectiva do que viram e souberam, quer na erraticidade, quer em suas existências anteriores, como alguns têm a intuição das línguas e das ciências de que já foram conhecedores.11. — Quanto ao futuro do Espiritismo, os Espíritos, como se sabe, são unânimes em afirmar o seu triunfo próximo, a despeito dos obstáculos que lhe criem. Fácil lhes é essa previsão, primeiramente, porque a sua propagação é obra pessoal deles: concorrendo para o movimento, ou dirigindo-o, eles naturalmente sabem o que devem fazer; em segundo lugar, basta-lhes entrever um período de curta duração: vêem, nesse período, ao longo do caminho, os poderosos auxiliares que Deus lhe suscita e que não tardarão a manifestar-se.Transportem-se os espíritas, embora sem serem Espíritos desencarnados, a trinta anos apenas para diante, ao seio da geração que surge; daí considerem o que se passa hoje com o Espiritismo; acompanhem-lhe a marcha progressiva e verão consumir-se em vãos esforços os que se creem destinados a derrocá-lo. Verão que esses tais pouco a pouco desaparecem de cena e que, paralelamente, a árvore cresce e alonga cada dia mais as suas raízes.12. — As mais das vezes, os acontecimentos vulgares da vida privada são conseqüência da maneira de proceder de cada um: este, de acordo com as suas capacidades, com a sua habilidade, com a sua perseverança, prudência e energia, terá êxito naquilo em que outro verá malogrados todos os seus esforços, por efeito da sua inaptidão, de sorte que se pode dizer que cada um é o artífice do seu próprio futuro, futuro que jamais se encontra sujeito a uma cega fatalidade, independente da sua personalidade. Conhecendo-se o caráter de um indivíduo, facilmente se lhe pode predizer a sorte que o espera no caminho por onde haja ele enveredado.13. — Os acontecimentos que envolvem interesses gerais da Humanidade têm a regulá-los a Providência. Quando uma coisa está nos desígnios de Deus, ela se cumpre a despeito de tudo, ou por um meio, ou por outro. Os homens concorrem para que ela se execute; nenhum, porém, é indispensável, pois, do contrário, o próprio Deus estaria à mercê das suas criaturas.Se faltar aquele a quem incumba a missão de a executar, outro será dela encarregado. Não há missão fatal; o homem tem sempre a liberdade de cumprir ou não a que lhe foi confiada e que ele voluntariamente aceitou. Se não o faz, perde os benefícios que daí lhe resultariam e assume a responsabilidade dos atrasos que possam resultar da sua negligência ou da sua má-vontade. Se se tornar um obstáculo a que ela se cumpra, está em Deus afastá-lo com um sopro.14. — Pode, portanto, ser certo o resultado final de um acontecimento, por se achar este nos desígnios de Deus; como, porém, quase sempre, os pormenores e o modo de execução se encontram subordinados às circunstâncias e ao livre-arbítrio dos homens, podem ser eventuais as sendas e os meios. Está nas possibilidades dos Espíritos prevenir-nos do conjunto, se convier que sejamos avisados; mas, para determinarem lugar e data, fora mister conhecessem previamente a decisão que tomará este ou aquele indivíduo. Ora, se essa decisão ainda não lhe estiver na mente, poderá, tal venha ela a ser, apressar ou demorar a realização do fato, modificar os meios secundários de ação, embora o mesmo resultado chegue sempre a produzir-se. É assim, por exemplo, que, pelo conjunto das circunstâncias, podem os Espíritos prever que uma guerra se acha mais ou menos próxima, que é inevitável, sem, contudo, poderem predizer o dia em que começará, nem os incidentes pormenorizados que possam ser modificados pela vontade dos homens.15. — Para determinação da época dos acontecimentos futuros, será preciso, ao demais, se leve em conta uma circunstância inerente à natureza mesma dos Espíritos.O tempo, como o espaço, não pode ser avaliado senão com o auxílio de pontos de referências que o dividam em períodos que se contem. Na Terra, a divisão natural do tempo em dias e anos tem a marcá-la o levantar e o pôr do Sol, assim como a duração do movimento de translação do planeta terreno. As unidades de medida do tempo necessariamente variam conforme os mundos, pois que são diferentes os períodos astronômicos. Assim, por exemplo, em Júpiter, os dias equivalem a dez das horas terrestres e os anos a mais de doze anos nossos.Há, pois, para cada mundo, um modo diferente de computar-se a duração, de acordo com a natureza das revoluções astrais que nele se efetuam. Já haverá aí uma dificuldade para que Espíritos que não conheçam o nosso mundo determinem datas com relação a nós. Além disso, fora dos mundos, não existem tais meios de apreciação. Para um Espírito, no espaço, não há levantar nem pôr de Sol a marcar os dias, nem revolução periódica a marcar os anos; só há, para ele, a duração e o espaço infinitos. (Cap. VI, nos 1 e seguintes.) Aquele, portanto, que jamais houvesse vindo à Terra nenhum conhecimento possuiria dos nossos cálculos que, aliás, lhe seriam completamente inúteis. Mais ainda: aquele que jamais houvesse encarnado em nenhum mundo, nenhuma noção teria das frações da duração. Quando um Espírito estranho à Terra vem aqui manifestar-se, não pode assinar datas aos acontecimentos, senão identificando-se com os nossos usos; ora, isso sem dúvida lhe é possível, porém, as mais das vezes, ele nenhuma utilidade descobre nessa identificação.16. — Os Espíritos, que formam a população invisível do nosso globo, onde eles já viveram e onde continuam a imiscuir-se na nossa vida, estão naturalmente identificados com os nossos hábitos, cuja lembrança conservam na erraticidade. Poderão, por conseguinte, com maior facilidade, determinar datas aos acontecimentos futuros, desde que os conheçam; mas, além de que isso nem sempre lhes é permitido, eles se vêem impedidos pela razão de que, sempre que as circunstâncias de minúcias estão subordinadas ao livre-arbítrio e à decisão eventual do homem, nenhuma data precisa existe realmente, senão depois que o acontecimento se tenha dado.Eis aí por que as predições circunstanciadas não podem apresentar cunho de certeza e somente como prováveis devem ser acolhidas, mesmo que não tragam eiva que as torne legitimamente suspeitas. Por isso mesmo, os Espíritos verdadeiramente ponderados nada nunca predizem para épocas determinadas, limitando-se a prevenir-nos do seguimento das coisas que convenha conheçamos. Insistir por obter informes precisos é expor-se às mistificações dos Espíritos levianos que predizem tudo o que se queira, sem se preocuparem com a verdade, divertindo-se com os terrores e as decepções que causem.17. — A forma geralmente empregada até agora nas predições faz delas verdadeiros enigmas, as mais das vezes indecifráveis. Essa forma misteriosa e cabalística, de que Nostradamus nos oferece o tipo mais completo, lhes dá certo prestígio perante o vulgo, que tanto mais valor lhes atribui, quanto mais incompreensíveis se mostrem. Pela sua ambigüidade, elas se prestam a interpretações muito diferentes, de tal sorte que, conforme o sentido que se atribua a certas palavras alegóricas ou convencionais, conforme a maneira por que se efetue o cálculo, singularmente complicado, das datas e, com um pouco de boa-vontade, nelas se encontra quase tudo o que se queira.Seja como for, não se pode deixar de convir em que algumas apresentam caráter sério e confundem pela sua veracidade. É provável que a forma velada tenha tido, em certo tempo, sua razão de ser e mesmo sua necessidade.Hoje, as circunstâncias são outras; o positivismo do século dar-se-ia mal com a linguagem sibilina. Daí vem que presentemente as predições já não se revestem dessas formas singulares; nada têm de místicas as que os Espíritos fazem; eles usam a linguagem de toda gente, como o teriam feito quando vivos na Terra, porque não deixaram de pertencer à Humanidade. Avisam-nos das coisas futuras, pessoais ou gerais, quando necessário, na medida da perspicácia de que são dotados, como o fariam conselheiros e amigos. Suas previsões, pois, são antes advertências, do que predições propriamente ditas, as quais implicariam numa fatalidade absoluta. Além disso, quase sempre motivam a opinião que manifestam, por não quererem que o homem anule a sua razão sob uma fé cega e desejarem que este último lhe aprecie a exatidão.18. — A Humanidade contemporânea também conta seus profetas. Mais de um escritor, poeta, literato, historiador ou filósofo hão traçado, em seus escritos, a marcha futura de acontecimentos a cuja realização agora assistimos.Essa aptidão, sem dúvida, decorre, muitas vezes, da retidão do juízo, no deduzir as conseqüências lógicas do presente; mas, doutras vezes, também resulta de uma especial clarividência inconsciente, ou de uma inspiração vinda do exterior. O que tais homens fizeram quando vivos, podem, com razão mais forte e maior exatidão, fazer no estado de Espíritos livres, quando não têm a visão espiritual obscurecida pela matéria. Allan Kardec - A Gênese - cap. XVI
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